
Mergulhou em seus tecidos para ver se o sono chegava e se a dor passava.
Fez uma pátina na alma- queria sentir a profundidade cheia de nuances de seu casco.
Ela era madeira, mesa, cadeira- qualquer coisa que acalmasse e sangrasse sem muita ferida.
A seda se tornava feérica, o coração um adasmacado barroco- vestia- se naquela noite com os farrapos da sua história e mergulhou no mistério de si e num mundo onde tudo era fantasia.
A realidade era dura, cortante e cinza, mas no meio da renda mais suave, se deleitou na transparência do outro.
Tinha também veludo azul, brocado, lã e algodão. Tinha tudo que pudesse revelar e desvelar.
Carregava um medo enorme de se enroscar para sempre entre a letra e a tessitura de tudo.
Cortou, costurou e entre plissados, dobrados, amassados e furados achou seu lugar.
Sentia uma afinidade cromática com todas aquelas tramas e sendas.
Inquieta, ela era arco- íris esperando sol e chuva para levantar.
O vestido estava quase pronto.
Ela olhou para a vida com um atrevimento que nunca teve antes.
Era só ter coragem de vestir e seguir viagem.
Ser mulher era peleja sem fim- pensou em descompasso.
Um dia ela e o vestido se entenderiam.
E seria a nudez mais bonita que os olhos de um homem poderiam enxergar....

5 comentários:
Que texto demasiado saboroso, Bia! Adorei!! :) bjsss
Oi linda, você não vale, porque transborda doçura nesses olhos abertos para o mundo...risos! Meu beijo!
uma amiga virtual me passou teu blog...
MTO bom mesmo!!!
mto interessante, as palavras sao leves, entre plumas e bruma a poesia se desenha, n arranha, n agride, simplesmente toca a folha tão delicada, que parece nem estar ali...
MEUS PARABENS
um beijo
ahhh
tenho um blog d poesias tb
http://madrugadaepoesia.blogspot.com/
se quiser visitar ficaria bem feliz!
beijus
Oi querido, bacana isso. Vou lá ver sim. Abraço: Bia
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