
As luzes se apagam. No silêncio da sombra do mundo eu assisto um filme triste, triste. O filme também me olha como se esperasse de mim um ''faux- raccord''- aquele corte que se apresenta deliberadamente como interrupção de um fluxo.
Imagens desesperadas e sem norte, me conduzem em um naufrágio lento e agonizante. Transbordo numa tristeza fina, delicada, feminina. Todas as lembranças se instalam desgovernadas em meu corpo.
Entre oceanos e distâncias, serpenteia firme no horizonte uma história de amor. Filme de duas vidas costuradas na toalha de mesa e no lençol da poesia cotidiana. Dentro da história, traços, sombras e luzes do amor que chega sem avisar, amor outro e mesmo.
Capturo um significante na pele desse " estrangeiro", e abro em meu desejo uma janela sensorial superlativa, viva, inevitável. Há um filme por escrever. Filme inteiro que insiste, mesmo com a força de um desvio que esbarra na opacidade da distância.
Não sei como roteirizar isso. Escrevo a partir de uma enunciação indeterminada uma fábula encantada do impossível no amor.
Como fazer possível e não silenciar a minha verdade?
Olho no espelho- aquele que Sylvia Plath afirma ser a única testemunha de fato sincera do nosso existir, de nossa presença.
Vejo uma miragem de mim. Escrevo a minha loucura.

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